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23/08/2021 13:40Conta de SistemaEducação
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​O Estado de São Paulo - 22/08/2021


Em contraste com o que o Ministério da Educação (MEC) tem defendido, a presença de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento, altas habilidades e superdotação em turmas inclusivas tem aumentado nas escolas brasileiras e se tornou maioria até na rede privada. O total de alunos nesses perfis cresceu 86% em uma década, chegando a 1,3 milhão, segundo dados do governo. A adoção de turmas mistas, apontam estudos, beneficia crianças com deficiência e também os outros colegas.

"A escola traça objetivos próprios para ele. As outras crianças participam, até brigam para decidir quem vai fazer com ele", conta a advogada Mariana Campos de Souza, de 45 anos, sobre a experiência do filho Marco Antônio, de 13, em uma turma inclusiva. Entre os ganhos que observou estão maior autonomia e sociabilidade. "A vontade de estar com outras crianças aumentou. Ele (que tem deficiência intelectual) se sentiu acolhido."

 

Marco Antônio, de 13 anos, com os pais Mariana e Edison - Foto: Tiago Queiroz/Estadão


Nesta semana, o titular do MEC, Milton Ribeiro, disse que há crianças com grau de deficiência em que "é impossível a convivência" em classe e, além disso, defendeu separar esses alunos em classes especiais. A fala foi alvo de críticas e ele se desculpou.

A oferta de turmas inclusivas (ou mistas) no lugar da segregação em escolas especiais se tornou amplamente defendida nos anos 1990, mas passou a ser mais incentivada no Brasil após 2008, com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva. A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que o acesso à educação inclusiva é direito de todos.

Trabalho do Instituto Alana com a ABT Associates de 2016, coordenado pela Universidade de Harvard, compilou 89 estudos de 25 países que revelam ganhos do ensino inclusivo para todos - um deles é alunos sem deficiência terem opiniões menos preconceituosas e serem mais receptivos a diferenças.

Cerca de um terço dos alunos de educação especial estava em escolas ou turmas especiais há dez anos. Hoje, 93,3% estão em classes inclusivas. Até mesmo na rede privada, onde a adesão ainda é menor, as classes mistas passaram a ser maioria (58,5%).

No Instituto Jô Clemente, antiga Apae de São Paulo, a escola especial foi encerrada em 2010, após a transição da maioria dos alunos para escolas regulares. Supervisora do Atendimento Educacional Especializado na instituição, Roseli Olher acompanhou: "As pessoas com deficiência que passaram a frequentar escolas comuns e a conviver com outras pessoas que não tinham deficiência se desenvolveram muito mais que o outro grupo, em termos de autonomia, independência, postura de estudante", diz. "Passaram a ter voz, optar pelo que queriam."



Hora do lanche na EMEF Água Azul, na qual alunos com e sem deficiência convivem juntos - Foto: Daniel Teixeira/Estadão​


Para ela, a maior difusão da educação inclusiva explica o avanço maior no ensino médio - a alta de alunos com deficiência na etapa foi de cinco vezes. "Por conta das dificuldades, as famílias desistiam", afirma.

A ideia na educação é perceber o aluno como indivíduo e parte de um grupo. Independentemente de ter deficiência, cada um vive a aprendizagem de um jeito e, por vezes, isso requer adaptações. "Trabalha-se o mesmo conteúdo, mas de formas distintas", afirma Roseli.

Pesquisa Datafolha em 2019 mostrou que 86% dos entrevistados concordaram com a frase "escolas se tornam melhores ao incluir crianças com deficiência" e 76% acreditam que alunos com deficiência aprendem mais junto de crianças sem deficiência. Por outro lado, 42% acham que o aluno com deficiência atrasa o aprendizado de colegas sem deficiência. E constatou 26% das crianças e adolescentes de 0 a 14 anos com deficiência fora da escola.

Na Escola Municipal Água Azul, zona leste de São Paulo, a diretora Eliane Torres conta que 48 dos cerca de 1,3 mil alunos têm deficiência. No local, há professoras especializadas em identificar necessidades e a orientar educadores da turma. "A inclusão não é só colocar dentro da escola, mas ter acesso ao currículo, como todos." Nas salas, se preciso, estagiárias são enviadas para dar auxílio, mas sem excluir o aluno das dinâmicas da turma. Funcionários são designados para auxiliar no caso dos que precisam de apoio em outros momentos dentro da escola.

Diretora da Educação Básica do Colégio Mackenzie, privado, Márcia Régis comenta que todas as turmas com alunos com deficiência passam por atividades para os demais conhecerem qual é aquela deficiência. "Para saberem o que é isso, conhecerem no dia a dia as necessidades de uma criança com Síndrome de Down (por exemplo), como o ambiente pode ser mais favorável a ela. Nossos alunos cresceram muito em relação a isso", diz.



Bryan (à esquerda), de 10 anos, é aluno do 5º ano e lê os números com a professora na Escola Municipal Agua Azul em Cidade Tiradentes ​- Foto: Daniel Teixeira/Estadão


Famílias de alunos com deficiência relatam ainda dificuldade para a matrícula na rede privada, assim como atendimento adequado. A criadora de conteúdo Veronica Oliveira, de 40 anos, pela primeira vez vive experiência satisfatória com o ensino do filho Ian, de 13, que tem autismo e está na 7.ª série. "Ele tem acompanhamento mais dedicado. Tinha dificuldades com algumas matérias que agora está entendendo bem. Ficou ótimo em Matemática, uma coisa que nunca tinha acontecido."

Em todas as outras, por mais que tenha percebido boa vontade, os profissionais não eram capacitados. "A cada ano, trocávamos de escola. Teve colégio que ele estudou que os próprios pais (de outros alunos) eram contra a inclusão", lembra.

Nas duas primeiras escolas que buscou este ano, viu resistência ao citar a deficiência. Fez, então, a pré-matrícula sem citar o autismo. Pagou mensalidades adiantadas e entregou a ficha de saúde - quando foi informada pela escola que havia ocorrido erro e que as vagas esgotaram. No atual colégio, há diálogo aberto com a equipe de saúde que acompanha Ian.

A falta de estrutura ou materiais é outro gargalo. "Nas escolas comuns, o que falta ainda são recursos humanos, acessibilidade arquitetônica, etc. Por ainda não estarem todas preparadas, complica um pouco a inserção", diz Roseli Olher.

 

Plano de educação especial foi parar no Supremo

Falas recentes do ministro da Educação, Milton Ribeiro, sobre a educação inclusiva, têm causado críticas. Ele chegou a dizer que estudantes com determinados graus de deficiência têm uma convivência "impossível" em sala de aula e até atrapalham os colegas de turma.

Em setembro, também já havia determinado mudanças ao decretar a Política Nacional de Educação Especial , que incentiva criar turmas e escolas especiais por meio de recursos específicos. "Muitos estudantes não estão sendo beneficiados em classes comuns", afirmou na época.

O documento foi considerado retrocesso por especialistas. Após ação direta de inconstitucionalidade, foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal ( STF ) em dezembro, mas de forma liminar. Na segunda, 23, e na terça-feira, 24, o caso voltará a ser tema de discussão na Corte, por meio de audiência pública.

Superintendente de um instituto voltado à inclusão, Rodrigo Mendes considera que a declaração do ministro expõe um desconhecimento total do assunto. "É uma fala de quem não acompanhou o que aconteceu nas últimas décadas. Chega a violar toda a construção do que houve no Brasil e no mundo em relação aos direitos humanos e à pedagogia contemporânea."

Mendes também critica o decreto. "Está baseado na crença de que a pessoa com deficiência não terá condições de construir autonomia, de se desenvolver e, por isso, precisa ser protegida, em ambiente segregado. Mas esse modelo de escola separada limita profundamente o horizonte do aluno, porque não é devidamente estimulado."

Em comunicado, o Ministério da Educação disse haver levantamento próprio de que cerca de 12% dos alunos com deficiência não são devidamente beneficiados em escolas regulares e isso motivou a destinação de R$ 257 milhões para que tenham "atendimentos múltiplos e especializados". A pasta tem defendido que a nova política dá mais opções às famílias cujos filhos têm deficiência

Ensino remoto prejudicou o desenvolvimento

O ensino remoto necessário na pandemia atingiu ainda mais os alunos com deficiência. Uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas, do segundo semestre de 2020, ouviu professores sobre o tema. Do total, 28,1% relataram aulas sem nenhum recurso de acessibilidade .

Entre os docentes de classes regulares, somente 20% relataram haver tradução para libras, enquanto 9,8% contou dispor de audiodescrição e outros 8,2% citaram a disponibilidade de legenda.

Pesquisador em Educação Inclusiva e professor na Unesp, Manoel Osmar Seabra Junior comenta que a inclusão exige também equipamentos, como mouses adaptados, ambiente adequado (em relação a som e luminosidade, por exemplo) e, por vezes, a presença de um profissional preparado. "Esses alunos foram prejudicados na reabilitação e na educação", diz.

Ele tem atendido alunos com esse perfil e percebeu diferenças. "A gente vê crianças com paralisia cerebral perdendo o que desenvolveram, com dificuldade para pegar um objeto", exemplifica.

23/08/2021 13:17Conta de Sistema23/08/2021Sim 160
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26/05/2021 14:21Conta de SistemaSaúde
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Folha de S. Paulo – Online - 23/05/2021

 

Com a chegada da primeiras doses da vacina da Pfizer ao Brasil, após longo imbróglio do governo Bolsonaro, adolescentes de 16 a 18 anos do grupo de risco para a Covid-19 vislumbraram a possibilidade de retormar parte de suas rotinas, como ir à escola e até mesmo dar continuidade a tratamentos médicos.

O imunizante é o único disponível no país com autorização para ser aplicado em pessoas a partir dos 16 anos. No entanto, o Ministério da Saúde e os governos estaduais ainda não incluíram os adolescentes dessa faixa etária nos grupos que podem se vacinar.

 

Por isso, jovens com comorbidades e síndromes estão mobilizados para serem incluídos no calendário de vacinação. As famílias têm acionado a Defensoria Pública e Ministério Público de diversos estados para garantir o direito à imunização.

 

"Quando as primeiras doses da Pfizer chegaram, eu tive uma esperança que há meses não sentia. Porque é a única vacina que minha filha poderia tomar no curto prazo, mas nunca houve menção de incluir essa faixa etária. É um grupo esquecido pelas autoridades", conta Denise Crispim, 42.

 

Ela é mãe de Sofia, que irá completar 16 anos no início de junho. A adolescente tem tetraplegia, o que compromete seriamente o sistema respiratório e a coloca em grave risco para a Covid-19.


 ​​Sofia Crispim completa 16 anos nas próximas semanas e luta para ser vacinada - Foto: Adriano Vizoni/Folhapress


"Com o quadro de saúde da Sofia, se ela tivesse mais de 18 anos, nós já poderíamos tentar vaciná-la com as doses da xepa ou saber que seria vacinada até junho. Mas, por ser menor de idade, não temos qualquer previsão."

 

Enquanto isso, Sofia segue em rigoroso isolamento em casa. Ela não frequenta as aulas presenciais que foram retomadas na escola particular onde estuda. Também está desde o início da pandemia sem fazer fisioterapia, o que tem causado dores em todo o corpo.

 

"Há uma preocupação da sociedade em voltar com as aulas presenciais para retomar a vida dos jovens, mas ninguém olha para os adolescentes com deficiência. É mais uma exclusão, mais uma situação de invisibilidade", diz Crispim.

 

Para especialistas, adolescentes com comorbidades e síndromes têm risco tão grande de desenvolver casos graves da doença como o de outras faixas etárias e deveriam ter prioridade na vacinação.

 

Segundo eles, o que impede a imunização do grupo não é só a baixa disponibilidade de doses no país, mas, principalmente, a falta de organização das autoridades de saúde para distribuir o imunizante.

 

Caio Bruzaca, geneticista do Instituto Jô Clemente, organização que promove a saúde de pessoas com deficiência intelectual, diz que um planejamento eficiente e responsável teria buscado formas de priorizar essa faixa etária para receber o imunizante da Pfizer, já que é o único aprovado para o grupo.

 

Atualmente, as doses da Pfizer só estão disponíveis para aplicação nas capitais do país. Como o imunizante precisa ser conservado em temperaturas muito baixas, entre -40ºC a -70ºC, há dificuldade em levá-lo para outros municípios, como ocorre com os da AstraZeneca ou da Coronavac.

 

"O Ministério da Saúde pode argumentar que não incluiu os adolescentes por um princípio de isonomia, já que jovens do interior com comorbidades não teriam acesso. Mas é tudo uma questão de organização e disposição. Outros países, como Estados Unidos e Israel, se organizaram e conseguiram vacinar os mais jovens", diz Ivan França, infectologista do AC Camargo Cancer Center.


Na sexta (21), a Pfizer protocolou pedido à Anvisa (Agência Nacional de Vigilâcia Sanitária) para ampliar o prazo de armazenamento das doses em temperaturas de 2ºC a 8ºC - o equivalente a um refrigerador comum. Atualmente, o prazo no Brasil é de 5 dias. Se aprovada, a medida reduziria os problemas de logística atualmente associados à distribuição do imunizante no interior do país.

 

O pedido, que facilita o armazenamento, já foi autorizado à empresa em outros países. Na Europa, o prazo aprovado para conservação nessas temperaturas foi de 31 dias.

 

Para os médicos, a invisibilização do grupo para receber a vacina reforça discriminações que já existiam e aumenta o risco de danos à saúde física e mental dos jovens. "Esse adolescente com comorbidades ou síndromes é obrigado a ficar ainda mais isolado enquanto seus colegas estão voltando às atividades", diz Bruzaca.


​​ 

A poucos dias de completar 16 anos, Sofia Machado vê na vacina a esperança de voltar a ter contato com as amigas. Com um problema respiratório grave desde que nasceu, ela não saiu de casa desde o início da pandemia, mas vê os colegas retomando os encontros.

 

"Quando soube que a vacina da Pfizer tinha chegado, senti que poderia ter minha vida de volta. Me sinto frustrada em saber que ainda não é a minha vez. É como se eu fosse invisível, porque só escuto dizer que a Covid-19 não tem risco para adolescentes", conta.

 

Os médicos ressaltam que, apesar de estudos mostrarem que há pouca incidência de casos graves de coronavírus em crianças e adolescentes, o risco não se aplica aos que têm comorbidades e síndromes. Eles também destacam que as novas variantes do vírus têm sido mais agressivas para jovens, o que reforçaria a necessidade de incluí-los na vacinação.

 

"Meu maior medo sempre foi ver meus filhos doentes. Estamos vencendo uma batalha e tudo o que eu queria era poder proteger meu menino de outras doenças", diz Edna Moraes, 43.

 

Em novembro do ano passado, seu filho Cauê, 17, foi diagnosticado com câncer no joelho. O tratamento já está no fim, mas a família ainda teme por uma contaminação já que o jovem continua com a imunidade menor.

 

"Ele faz tratamento em São Paulo e nós moramos em Guarulhos. Ele pega ônibus cheio para ir até lá, fico aflita. Com a vacina, acho que ficaria um pouco mais tranquila", conta a mãe.

 

Em nota, o Ministério da Saúde disse que a vacina da Pfizer só está disponível nas capitais e, para garantir a padronização da campanha, recomenda a vacinação apenas em maiores de 18 anos. Questionado se há previsão de inclusão da faixa etária, informou apenas que o plano nacional de vacinação está "em constante atualização".

 

O governo de São Paulo também não informou se há previsão de incluir os adolescentes na vacinação e disse que segue as diretrizes do PNI (Programa Nacional de Imunização). "A continuidade e a inclusão de novos públicos na campanha de vacinação contra a Covid-19 dependem da disponibilização de mais doses por parte do Ministério da Saúde", disse.​

26/05/2021 13:27Conta de Sistema23/05/2021Sim 159
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25/05/2021 12:08Conta de SistemaDefesa de direitos
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​​Folha de S. Paulo - Online - 23/05/2021


Daniela Machado M​​endes

Superintende geral do Instituto Jô Clemente

Isolamento social aumentou exclusão dessa parcela da população, 

​cujos direitos conquistados seguem sob constante ameaça

 

Iniciamos mais uma etapa da vacinação contra a Covid-19. Agora, em alguns estados, inclusive São Paulo, pessoas com síndrome de Down de 18 a 59 anos estão sendo imunizadas. Além desse grupo, foram incluídas pessoas com deficiência permanente que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Trata-se de uma conquista importante, mas esse é apenas um dos muitos passos que ainda precisamos dar para evitar retrocessos e assegurar seus direitos. E não precisava ser assim, pois essas pessoas já deveriam estar sendo vacinadas em todo o país.

Essa urgência se dá justamente por serem indivíduos mais vulneráveis ao contágio, já que possuem maior dificuldade em seguir os protocolos de higiene ou usar a máscara corretamente. Eles também estão mais vulneráveis a complicações e até mesmo ao óbito se infectados com o novo coronavírus, por serem mais suscetíveis a comorbidades.


Governador de São Paulo, João Doria, acompanha com sua mulher, Bia Doria, o início da vacinação de pessoas com síndrome de Down, no Instituto Jô Clemente, na capital; na foto, ao centro, Victor Machado Godoy, 24, que trabalha como aprendiz administrativ​​o no palácio dos Bandeirantes, foi a primeira pessoa com Down a ser vacinada no estado. – Foto: Bruno Santos/Folhapress


De acordo com pesquisa da Nejm Catalyst, divulgada este ano, o risco de pessoas com deficiência intelectual irem a óbito ao contraírem Covid-19 chega a ser três vezes maior em relação a uma pessoa sem deficiência. O estudo analisou 64 milhões de pacientes, dos quais 127 mil possuem deficiência intelectual.

Desde o início da vacinação no país, nós do Instituto Jô Clemente e muitas outras entidades e movimentos de pessoas com deficiência fomentamos uma luta pela prioridade desse grupo junto ao Ministério da Saúde.

Buscamos diálogo com técnicos da saúde, parlamentares e representantes do poder público, apontando para a urgência do tema. Afinal, a imunização é o principal meio para assegurar a vida e o retorno das pessoas com deficiência às suas atividades nas mais diversas esferas sociais.

O atípico ano de 2020 provocou a readequação de processos nas instituições que atuam na causa da deficiência, como nós, do Instituto Jô Clemente.

Há 60 anos trabalhamos pela prevenção e promoção da saúde, defesa e garantia de direitos, produção e disseminação de conhecimento e pela autonomia e protagonismo das pessoas com deficiência intelectual.


Com as medidas de quarentena, adaptamos os serviços para atendimento híbrido —remotos ou presenciais—, de acordo com a necessidade, bem como focamos na continuidade de terapias e serviços de apoio, mesmo a distância, para evitar perdas nas funcionalidades e no desenvolvimento de suas habilidades cognitivas e motoras.

Nesse processo, notamos algumas dificuldades das famílias em acompanharem os atendimentos remotamente e buscamos alternativas para cada caso, especialmente porque uma parcela significativa das pessoas que apoiamos vive em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com acesso restrito a tecnologias e recursos considerados básicos.

Desde o início da pandemia, pessoas com deficiência têm encontrado imensas dificuldades para se manterem ativas. Percebemos que o isolamento trouxe desafios também no ambiente familiar, com sobrecarga para os pais e cuidadores, uma vez que os atendimentos profissionais presenciais ficaram restritos.

Outro aspecto identificado foi o aumento de casos de evasões e redução na frequência das atividades.

Neste mesmo período, outro fator a ser considerado são as subnotificações nos casos de violência e violação de direitos, como demostraram os últimos registros da 1ª Delegacia da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo e do nosso Serviço Jurídico Social, o que também evidencia a vulnerabilidade vivenciada pelas pessoas com deficiência.

Assegurar a vacinação para todas as pessoas com deficiência não é a única luta. Ainda há muitos direitos ameaçados em nosso país. Esperamos celebrar em breve a vida das pessoas com deficiência, garantindo-lhes a vacinação e a plenitude de seus direitos.

​​ 

25/05/2021 11:41Conta de Sistema23/05/2021Sim 158
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24/05/2021 17:09Conta de SistemaDefesa de direitos
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​​​​​​​Folha de S. Paulo - Online - 21/05/2021


​Criado pela jornalista Patrícia Almeida, ​mãe de uma garota com Down, 

material pode ser usado por crianças com ou sem deficiência

 

Se crianças e adolescentes já são naturalmente vítimas prediletas de molestadores, o risco é três vezes maior para aqueles com algum tipo de deficiência, conforme revela relatório da Unicef. Não é muito difícil descobrir as razões dessa preferência. A fragilidade acarretada por fatores como imaturidade, insegurança e dependência é agravada pela vulnerabilidade imposta por limites físicos ou mentais.

 

Mãe de uma jovem com síndrome de Down e mestre em estudos da deficiência pela Universidade da Cidade de Nova York, a jornalista Patricia Almeida decidiu criar o projeto "Eu me Protejo", uma cartilha que ensina crianças com ou sem deficiência a reconhecer situações suspeitas e desconfiar do abuso travestido de carinho e afeto.

 

Com linguagem simples e direta, a cartilha enumera atitudes suspeitas e dá dicas de como reagir e a quem pedir ajuda. Para a autora, trabalhar a autoestima das crianças com deficiência é uma medida de proteção importante para estimular o relato de possíveis abusos.​​​


Imagens da Cartilha "Eu Me Protejo"​​


"Elas são muito desacreditadas. Um dos motivos é que existe a ideia de que ninguém teria interesse em se relacionar com uma pessoa com deficiência", afirma Patrícia.

 

Foi o que ocorreu com V.L., 45, que tem uma deficiência congênita nos pés que a fez depender de muletas durante toda a infância e se submeter a sete cirurgias para tentar corrigir o problema.

 

V. L. tinha nove anos quando o pastor da igreja evangélica que a mãe frequentava, de confiança da família, pediu consentimento para que ela o ajudasse após os cultos.

 

O religioso comprava salgadinhos e doces para a menina enquanto ela estava na igreja. "Minha família era muito pobre, ninguém tinha dinheiro para nada, não tínhamos condições de comer essas coisas", conta.

 

Atento ao seu problema físico, o pastor sempre mandava que ela se sentasse. Uns dois meses depois, passou a pedir que ela se sentasse no colo dele. Assim começaram os abusos, que duraram cerca de um ano, até que os estudos a fizeram deixar de ajudar na igreja. Não chegou a haver penetração, o pastor manipulava os órgãos sexuais dele e dela.


Educação sexual​​

​​​

 

Na adolescência, quando começou a entender o que era abuso, V.L. decidiu contar para a irmã três anos mais velha, que não acreditou. "Ela disse que eu tinha entendido errado, o pastor era um homem bom, casado, não iria abusar de uma menina como eu [com deficiência e então considerada feia]." Depois disso, não contou para mais ninguém.

 

No caso de crianças com deficiência intelectual, ​há um descrédito ainda maior sobre o que relatam. "Elas podem ter habilidades comprometidas, algum déficit cognitivo, mas têm capacidade para relatar sua história, informar o que está acontecendo", afirma Luciana Stocco, assistente social e supervisora do Serviço Jurídico Social do Instituto Jô Clemente (antiga Apae, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo).

 

Com base em sua experiência no instituto, Luciana afirma que a questão socioeconômica tem grande relevância nos casos de exploração sexual: "A dependência muitas vezes faz a família camuflar a situação porque precisa do dinheiro do agressor".

 

A questão financeira também está relacionada ao estresse do cuidador principal, que, na maioria dos casos, é a mãe. "O esgotamento do cuidador é um fator importante na ocorrência de violência. É necessário haver uma atuação intersetorial para definir políticas públicas mais eficazes e mais protetivas", diz.

Confira a cobertura completa do 5º seminário sobre exploração sexual infantil

 

V.L. até hoje mora com a mãe na mesma cidade do interior paulista em que nasceu. Não se casou, nem teve filhos. Nunca conseguiu namorar e diz que até hoje tem pavor que cheguem perto dela. O pastor já morreu há muitos anos, mas ela diz que as lembranças ainda são sufocantes. "Sei que preciso de ajuda, já cheguei a marcar com a psicóloga várias vezes, mas sempre desmarco. Sinto muita vergonha de contar o que aconteceu comigo."

 

A cartilha de Patricia Almeida está disponível gratuitamente no endereço eumeprotejo.com e pode ser baixada para uso no computador ou celular. Para os que preferirem imprimir, há a opção da versão de bolso, mais econômica. O site também oferece a obra em formato de videolivro, audiodescrição, Libras e videolivro em Libras, além de versões em espanhol e inglês.

 

24/05/2021 15:12Conta de Sistema21/05/2021Sim 157
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